Coesão e coerência
A coesão e a coerência são fundamentais para a construção do sentido do texto. A coesão é responsável pela organização da estrutura textual e a coerência, pela relação entre as ideias.
Por Mariana Carvalho Machado Cortes

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A coesão e a coerência são fundamentos do texto responsáveis pela sua organização e pela relação de ideias que precisam ser estabelecidas de modo que contribuam para a construção de sentido. A coesão é responsável pela organização da forma do texto e utiliza-se de elementos linguísticos para que haja retomada de informações e progressão textual. A coerência é responsável pela relação de sentidos que são estabelecidos entre as ideias de maneira que o texto seja compreensível ao receptor. Assim, entender coesão e coerência é essencial para quem quer produzir textos claros e produtivos.
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Resumo sobre coesão e coerência
- Coerência é a relação de sentido que se estabelece entre os enunciados e o contexto em que o texto é inserido.
- Os tipos de coerência são: sintática, semântica, temática, pragmática, estilística e genérica.
- Os fatores de coerência podem ser divididos em: elementos linguísticos, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, intertextualidade e informatividade.
- São princípios da coerência a não contradição e a não tautologia.
- A coesão corresponde aos elementos linguísticos utilizados para estabelecer relação entre partes do texto.
- Os tipos de coesão são referencial, que retoma termos do universo textual, ou sequencial, responsável pela progressão da comunicação do texto.
- Os mecanismos de coesão são: referência, substituição, elipse, conjunção e coesão lexical.
- A principal diferença entre coesão e coerência é que a coesão se refere à continuidade baseada na forma e a coerência, à continuidade baseada no sentido.
- A coesão é importante porque ela é responsável pela organização do texto em sua forma. A coerência é importante, pois ela estabelece as relações de sentido do texto de maneira que o texto se mostre compreensível ao receptor.
O que é coerência?
Coerência é a relação de sentido que se manifesta entre os enunciados e até mesmo entre o texto e a realidade, uma vez que o sentido só pode ser estabelecido, em sua totalidade, por meio das relações entre os enunciados e entre os contextos de produção e de recepção do texto, e não de maneira isolada. A coerência, nesse sentido, organiza o núcleo em torno do qual giram os enunciados do texto. Veja o poema a seguir:
Hípica
Saltos records
Cavalos da Penha
Correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas
As meninas
E a orquestra toca
Chá
Na sala de cocktails
Oswald de Andrade
O poema de Oswald de Andrade, apesar de ser composto de palavras soltas, apresenta uma coerência devido à relação de sentido que é possível encontrar entre elas. O poeta então faz referência a uma partida de jóquei e remete aos tipos de frequentadores de hipismo em sua época. A coerência se estabelece, portanto, devido à relação entre os versos e o conhecimento prévio que o leitor precisa ter para a compreensão do poema.
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Tipos de coerência
É importante, inicialmente, ressaltar que os tipos de coerência são complementares e que um texto só pode ser compreendido em sua totalidade se todos os tipos a seguir estiverem integrados.
- Coerência sintática: é a organização dos termos sintáticos na frase de maneira a produzir-se sentido. Na frase “Olhou Joana Otávio”, não é possível entender quem é o sujeito e o objeto da oração, perdendo-se, assim, o sentido.
- Coerência semântica: é o sentido produzido por meio da relação entre os enunciados. Ela organiza, junto da coerência sintática, o sentido microtextual do discurso.
- Coerência temática: funda-se na continuidade do conteúdo estruturando-se em torno de palavras e enunciados que favoreçam a manutenção e a progressão de um tema específico.
- Coerência pragmática: refere-se ao sentido estabelecido por meio da relação entre os interlocutores do discurso e do contexto em que estão inseridos.
- Coerência estilística: refere-se ao uso adequado da variedade linguística em seu devido contexto. Uma variedade da norma culta da língua pode ser incoerente em uma reunião entre amigos, por exemplo.
- Coerência genérica: corresponde ao uso adequado do gênero textual em seu devido contexto. Quando a mãe pede ao filho para comprar pão, uma mensagem de texto ou um bilhete são gêneros textuais mais coerentes ao contexto que uma dissertação argumentativa, por exemplo.
Para saber mais e conferir exemplos, clique aqui.
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Fatores de coerência
- Elementos linguísticos: como veremos posteriormente, utilizamos elementos linguísticos, tais como conjunções, pronomes e pontuação, para organização dos enunciados de maneira que contribuam para a construção do sentido do texto. Esses elementos são responsáveis pela coesão textual.
- Conhecimento de mundo: é o conhecimento adquirido à medida que vivemos. Ele é essencial para o nível de apreensão e de interpretação que um sujeito pode obter na leitura de um texto.
- Conhecimento partilhado: corresponde ao conhecimento comum entre o enunciador e o receptor da mensagem. Quanto maior for a bagagem de conhecimento comum, menor será a necessidade de explicitude do texto.
- Inferências: é a relação não explícita que o receptor da mensagem pode estabelecer entre elementos do texto de maneira a contribuir com sua interpretação.
- Fatores de contextualização: são aqueles que ancoram o texto em uma situação comunicativa específica. Eles podem ser, por exemplo: a data, o local, o título, o nome do autor etc.
- Focalização: refere-se à concentração do produtor e do receptor em apenas uma parte de seu conhecimento, com as suas respectivas percepções, para a construção da situação comunicativa.
- Situacionalidade: refere-se à relação do texto com a situação, que pode ser social, cultural, ambiental etc. Ela é necessária tanto para a interpretação textual como para a orientação da sua produção.
- Intertextualidade: consiste nas relações encontradas entre um texto e outros anteriormente produzidos. Trata-se das relações explícitas ou implícitas que um texto mantém com outros textos.
- Informatividade: trata-se do grau de informação que é possível extrair de um texto. Esse critério é importante para o estabelecimento do relacionamento que o receptor terá com o texto.
- Intencionalidade e aceitabilidade: o objetivo ou a finalidade para o qual um texto é produzido. Diz respeito, ainda, ao que os produtores do texto pretendiam com seu discurso. No entanto, é necessário lembrar que a intencionalidade sozinha não é suficiente para a produção de sentido. Ela precisa estar integrada aos demais fatores de coerência. A aceitabilidade diz respeito à atitude do receptor para aceitar, entender ou interpretar o texto para ele apresentado. Assim, ele não pode estar desvinculado da situacionalidade.
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Princípios de coerência
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- Não contradição: trata-se da compatibilidade das informações do texto definida pelas relações de lógica, de tempo, de causalidade etc.
- Não tautologia: premissa que garante a progressão temática, uma vez que o texto pode trazer conteúdos novos sem perder a relação com as informações anteriores.
Leia também: Textualidade — o que torna um texto de fato um texto?
O que é coesão?
Corresponde aos processos textuais que asseguram uma ligação entre os elementos que ocorrem na superfície do texto. Eles são responsáveis pelos movimentos de progressão e de retomada das informações que ocorrem no ato comunicativo.
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Tipos de coesão
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- Referencial: realizada por aspectos mais especificamente semânticos. Ocorre quando um elemento da superfície do texto remete a outro elemento do universo textual. Ela pode ocorrer, por exemplo, pelo uso de sinônimos, de pronomes e de elipse.
- Sequencial: realizada por elementos conectivos. Contribui para a progressão textual. Pode ser utilizada por meio de conectivos e de operadores que organizam o texto, como marcadores de espaço ou de tempo, expressões como “em primeiro lugar”, “no próximo capítulo” etc.
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Mecanismos de coesão
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Referência: remete ou faz referência a outros elementos do texto. Ocorre por meio do uso de pronomes ou de comparações.
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Substituição: é utilizada para abreviar sentenças de maneira a evitar a repetição.
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Elipse: evita repetições por meio da omissão de palavras ou expressões que podem ficar subentendidas na frase.
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Conjunção: as conjunções são uma forma de permitir a progressão do texto ao mesmo tempo que fazem relações com o que já foi falado.
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Coesão lexical: utiliza-se principalmente de sinônimos para evitar a repetição de palavras dentro do texto.
Quais as diferenças entre coesão e coerência?
É possível perceber, então, que a coesão se refere aos elementos linguísticos superficiais do texto que contribuem para os movimentos de retomada e de progressão do discurso; enquanto a coerência refere-se às relações de sentido que são estabelecidas dentro do texto. A coesão, portanto, é a continuidade baseada na forma e a coerência, a continuidade baseada no sentido. Ambas, portanto, são complementares para a construção de um discurso.
Importância da coesão e coerência
A coesão é importante porque ela é responsável pela sequência superficial do texto. Seus processos constituem os padrões formais para transmitir conhecimentos e informações, e ela aparece, assim, como um facilitador da compreensão e da produção de sentido.
A coerência é um aspecto fundante da textualidade, uma vez que apenas por ela pode haver compreensão no ato comunicativo, sendo ela é responsável pela relação e pela organização dos sentidos do texto. Quanto mais um texto é coerente, mais fundamentais são as informações nele contidas.
Mapa mental sobre coesão e coerência

Exercícios sobre coesão e coerência
Ética no Trabalho
Ética está relacionada ao nosso modo de viver, social e moralmente. É pelo conceito da ética que definimos o que seria certo ou errado, e bem ou mal, quando agimos. Já a ética no trabalho é a relação com o nosso modo de agir dentro da empresa em relação às normas, das regras sociais da organização e das relações profissionais.
No trabalho, as regras e as normas da empresa são um fator determinante para definir o que seria certo e o que seria errado, e isso pode variar em cada organização. O documento que define essas obrigações é o código de conduta ética, pois é decisivo para como os colaboradores irão atuar e se posicionar dentro da empresa.
Alguns comportamentos podem ser exemplos de ética no trabalho: respeito, honestidade, comprometimento, senso de justiça. Já outros, podem ser exemplos ou sinais de falta de ética: falta de humildade, falta de empatia, falta de lealdade, falta de solidariedade.
A ética no trabalho gera comportamentos positivos e corretos, o que é um benefício tanto para a empresa quanto para o colaborador. Além disso, ela estimula o clima organizacional harmonioso, inibe os comportamentos antiéticos, diminui riscos de fraude, assédio e corrupção.
Ter uma postura ética no trabalho significa seguir as normas da sua profissão e as regras da instituição onde atua. Por isso, é algo que precisa ser promovido e incentivado constantemente dentro da organização.
Fonte: IPRC Brasil – adaptado.
1) Em relação ao texto, no que se refere a elementos coesivos, relacione as colunas abaixo:
(1) É elemento coesivo.
(2) Não é elemento coesivo.
( ) “pois”, 2º parágrafo.
( ) “ela”, 4º parágrafo.
( ) “alguns”, 3º parágrafo.
( ) “isso”, 2º parágrafo
( ) “nosso”, 1º parágrafo
Gabarito: 1-1-2-1-2
O termo “alguns” não retoma nenhum termo citado anteriormente, apenas acompanha a palavra “comportamentos”; e o termo “nosso” também não retoma, mas insere a primeira pessoa do plural. Já o termo “pois” traça uma relação de explicação com o que foi falado anteriormente, por isso, pode ser considerado um elemento coesivo, bem como “ela” e “isso”, que também servem para retomar termos anteriormente mencionados.
2) (FGV- 2025) Observe o seguinte texto:
É necessária a criação de novas leis, como, por exemplo, uma que permita a mudança do nome próprio, pois, às vezes, as pessoas carregam nomes que se tornaram esquisitos, nomes dados por pais idiotas porque as leis não lhes permitem o direito de escolha.
O termo sublinhado no texto acima que não estabelece coesão com algum termo anterior, é
- uma.
- que.
- nomes.
- lhes.
- escolha.
Gabarito: E
“Escolha” é um substantivo que não retoma termo algum nem contribui para a progressão do texto, como ocorre nas demais alternativas.
Fontes
MARCUSCHI, L. A. (2008). Produção textual: análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. 296p. ISBN 978-85-88456-74-7.
Koch, Ingedore Villaça. A Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 2014. 18. ed. 118 p.; il.: P&B ISBN: 9788585134600