Substantivos são palavras responsáveis por nomear as coisas e podem ser divididos em comum ou próprio, primitivo ou derivado, simples ou composto, abstrato ou concreto.
Substantivo é uma classe de palavras que dá nome aos seres e a tudo que está ao redor das pessoas. Exemplos: casa, Pedro, guerra, livraria, dente, passatempo etc. Em virtude dessa função e da amplitude de sua ocorrência, esses termos podem ser divididos em variados tipos. Os tipos de substantivo são:
comum;
próprio;
primitivo;
derivado;
simples;
composto;
concreto;
abstrato;
coletivo.
Importante destacar que por se tratar de uma classe de palavras variáveis, os substantivos flexionam-se de acordo com o gênero (masculino e feminino), com o número (singular e plural) e com o grau (diminutivo e aumentativo).
Leia também: Quais são as classes de palavras?
Substantivo é a classe gramatical responsável por nomear os seres em geral.
Os tipos de substantivos são: comum, coletivo e próprio; primitivo e derivado; simples e composto; concreto e abstrato.
Substantivos comuns: nomes genéricos dados a um mesmo grupo de seres ou objetos.
Substantivos coletivos: nomes usados para representar um grande conjunto de seres ou objetos.
Substantivos próprios: nomes dados especificamente a um (ou alguns) indivíduo(s) ou objeto(s).
Substantivos primitivos: aqueles que não se originaram de outra palavra presente na língua.
Substantivos derivados: aqueles que se originaram de outro nome.
Substantivos simples: constituídos por apenas um radical.
Substantivos compostos: têm mais de um radical em sua uma estrutura.
Substantivos concretos: nomeiam seres de existência própria.
Substantivos abstratos: nomeiam qualidades, ações, sentimentos, estados, sensações.
Substantivo é uma classe gramatical cuja função é, grosso modo, nomear os seres em geral. Apesar de essa conceituação estar presente em vários locais, há que se ressaltar sua incompletude, tendo em vista que o substantivo pode também ser responsável por denominar:
ações (abraço, chute);
postulados físicos (inércia);
aspectos emocionais e psicológicos (covardia, esquizofrenia, ansiedade, amor, ódio);
elementos socioculturais (pobreza, inteligência).
Tais características não são as únicas que diferenciam o substantivo das demais classes gramaticais, como a dos adjetivos e a dos pronomes. Diante disso, a identificação dele, além de depender do critério semântico mencionado (atribuição de palavras e significados às experiências que vivenciamos), requer a observação do critério morfológico – ou seja, das formas e processos de constituição comuns dos termos substantivos — e do sintático – isto é, relacionado à posição e combinação dessas palavras dentro de uma oração ou frase.
Dessa maneira, os substantivos podem ser definidos por:
Darem nome às coisas.
Terem suas unidades menores (radicais — partes das palavras que carregam a ideia central — e afixos — elementos que complementam o radical) confrontadas com as outras da mesma categoria gramatical.
E, por fim, exercerem as funções de sujeito e objeto direto das orações, sendo, inclusive, seus núcleos informativos.
O substantivo comum é responsável por nomear a generalidade dos seres da mesma espécie, dos elementos abstratos, dos objetos e dos fenômenos da natureza. Ou seja, sua função é identificar o que está presente na vida e no imaginário daqueles dotados de linguagem, mas sem individualizar esses constituintes da experiência humana.
Exemplos:
zebra (animal de determinada classe);
amor (sentimento abstrato);
garfo (objeto);
chuva (fenômeno da natureza).
Já os substantivos coletivos são as palavras que transmitem ideia de um agrupamento de seres ou de uma reunião de entidades que constituem substantivos comuns, uma vez que não individualizam os elementos, apenas os consideram como uma massa indistinta.
Exemplos:
Arquipélago: ilhas próximas detentoras de características comuns.
Cardume: agrupamento de peixes.
Vocabulário: palavras da mesma língua.
Enxame: muitas abelhas num mesmo local.
Manada: conjunto de animais da mesma espécie com comportamentos semelhantes.
Baixela: vários itens de cozinha, como panelas.
Resma: 500 folhas de papel.
Se o substantivo comum designa um todo, o substantivo próprio aplica-se ao singular, conforme se observa a seguir:
Exemplos:
Japão (país específico, não há outro);
João (apesar de ser o nome de muitas pessoas, tem-se que pensar em alguém de forma contextualizada, ou seja, que está imerso num dado universo e, por isso, torna-se particular);
Brasil Escola (apenas um site é detentor dessa titulação).
Observação: É importante ficar atento ao emprego dos substantivos. A depender da situação e da intenção do locutor, isto é, da pessoa que transmite uma informação, uma palavra tida como comum pode ser, na verdade, própria, assim como uma própria pode carregar um sentido comum.
Marlene e eu divertimo-nos muito na Viola de Prata.
Perceba que tanto viola quanto prata são normalmente substantivos comuns, já que o primeiro nomeia um tipo de instrumento musical e o segundo identifica uma espécie de minério. Mas, no contexto, Viola de Prata é uma determinada boate, sendo, portanto, um lugar singular, o qual deve ser identificado pela utilização de um substantivo próprio.
Não é um Vietnã, mas é guerra.
Apesar de Vietnã ser um país específico, na situação anterior o termo não é utilizado para identificar a nação, mas para apresentar o sentido de qualquer guerra cuja duração foi extensa. Ou seja, trata-se de mais um entre tantos conflitos armados, figurando-se, dessa maneira, como um substantivo comum.
Os substantivos primitivos são compostos por palavras que não se originaram de outras presentes na mesma língua.
Exemplos:
guerra;
cidade;
rua;
laranja;
Já os substantivos derivados, conforme o próprio nome anuncia, são palavras que provêm de outras, sendo que o termo original pode ser um:
→ Substantivo: bruxa, que origina bruxaria.
→ Adjetivo (classe gramatical cuja função é caracterizar, evidenciar qualidades ou estados dos seres): célebre, que cria celebridade.
→ Verbo (exprime uma ação, um estado ou um fenômeno situado no tempo): casar, que gera casamento.
Os substantivos simples são constituídos por apenas um radical (parte da palavra que carrega o sentido principal dela).
Exemplo:
O mesário não compareceu às eleições.
→ Radical
→ Sufixo (profissão/função)
Os substantivos compostos, apesar de também apresentarem uma unidade de sentido, têm mais de um radical em sua uma estrutura. Em vista disso, formalmente, eles podem aparecer como uma palavra.
Exemplos:
passatempo (brincadeira);
hidromassagem (massagem feita com jatos de água).
Podem também aparecer com dois ou mais termos, separados ou não por hífen.
Exemplos:
bicho-da-seda (inseto específico);
cachorro-quente (tipo de alimento);
Nossa Senhora (mãe de Jesus).
Os substantivos concretos nomeiam seres de existência própria, isto é, figuras independentes que fazem parte de um universo real ou imaginário.
Exemplos:
Lobisomem (entidade imaginária);
lápis (objeto);
Andréa (pessoa);
Goiânia (cidade);
Congresso Nacional (instituição).
Os substantivos abstratos designam qualidades, ações, sentimentos, estados, sensações. Constata-se, portanto, que a existência desses elementos está condicionada a um ser concreto ou imaginário que os evidencie ou os experiencie. Além disso, pressupõe-se a manutenção do caráter universal deles, ou seja, da sua aparição em diversos locais e variadas situações.
Exemplos:
avareza, lentidão (qualidades);
solidão, ódio (sentimentos);
velhice, juventude, felicidade (estados);
ardência, conforto (sensações).
Além da distinção dos substantivos por meio da análise semântica, eles podem ser diferenciados pelo aspecto morfológico, tendo-se em vista que há regularidades formais presentes nas palavras. Dessa maneira, determinados sufixos, como -dade, -ez, -eza, -ura, -ia, -dão, -ície, podem originar substantivos abstratos derivados de adjetivos.
Exemplos:
mal → maldade;
mesquinho → mesquinhez;
cru → crueza;
cândido → candura;
cortês → cortesia;
imundo → imundície.
Também a presença dos sufixos -ção, -são, -ância, -ência, -ânça, -ênça podem indicar a herança verbal dos substantivos abstratos.
Exemplos:
deter → detenção;
confundir → confusão;
ignorar → ignorância;
viver → vivência;
governar → governança;
crer → crença.
Importante destacar que a classificação de um substantivo em concreto e abstrato não dispensa a atenção ao contexto frasal no qual ele está inserido. Diante disso, principalmente em textos literários, constata-se a possibilidade de inversão da categoria, estabelecendo, assim, uma figura de linguagem chamada metonímia (troca de um termo por outro, desde que entre eles haja uma contiguidade no que toca aos significados).
Exemplo:
Quando me lembro de minha pele sem rugas, percebo o quanto era imaturo.
Pelo período anterior, é fácil compreender que a expressão “pele sem rugas” remete ao substantivo abstrato “juventude”.
Leia também: Advérbios — palavras que modificam o sentido de verbos, adjetivos e outros advérbios
A flexão de gênero diz respeito à capacidade de a palavra assumir uma face feminina, marcada, entre outras formas, pela utilização tanto do artigo definido “a” quanto do artigo indefinido “uma”; ou apresentar um aspecto masculino, o qual poderá ser assinalado da mesma maneira, por meio do uso de “o” e “um”.
Diante disso, um mesmo substantivo pode transitar entre o gênero masculino e o feminino, característica que o leva a ser classificado como biforme.
Exemplos:
homem/mulher;
cavalo/égua;
trabalhador/trabalhadora.
Todavia, essa não é a única configuração dos substantivos, pois há aqueles que possuem apenas um modo de ser escrito ou falado e, em virtude disso, adotam apenas um gênero, apesar de poderem abarcar seres masculinos e femininos. Essas palavras são tidas como uniformes.
Exemplos:
pessoa;
vítima;
casa.
Há alguns substantivos que podem assumir um sentido ou outro, conforme o gênero empregado.
Exemplos:
o rádio (aparelho de difusão sonora), a rádio (emissora, canal);
o guia (pessoa ou entidade responsável por dar a direção a alguém), a guia (documento);
o capital (relacionado à economia), a capital (sede administrativa de algum lugar);
o cabeça (mentor), a cabeça (parte do corpo).
Para saber mais sobre a flexão de gênero dos substantivos, clique aqui.
A flexão de número é responsável por marcar a quantidade de seres, emoções, fenômenos expressos pelos nomes, isto é, se se trata de apenas um elemento (singular) ou de dois ou mais elementos (plural). Importante esclarecer que as palavras singulares são as originais, portanto são as plurais que carregam algum elemento diferenciador, como a inserção das desinências “s” ou “es”.
Perceba, a seguir, alguns padrões de modificação dos termos em razão do número.
Características das palavras |
Modificação do plural |
Exemplos |
Terminadas em “r”, “z”, “n” |
Acrescenta-se “es”. |
Noz - nozes, mar - mares, abdômen - abdômenes |
Terminadas em “m” |
Substitui-se a letra “m” por “ns”. |
Origem - origens, fórum - fóruns |
Paroxítonas (penúltima sílaba tônica) + final “ão” |
Insere-se a letra “s”. |
Órgão - órgãos, sótão - sótãos |
Terminadas em “ão” |
Troca-se a desinência “ão” por “ães” ou “ões”, ou apenas se insere a letra “s”. |
Canção - canções, irmão - irmãos, pão - pães |
Terminadas em “al”, “el”, “ol”, “ul” |
Troca-se a letra “l” por “is”. |
Matagal - matagais, cordel - cordéis, atol - atóis, azul - azuis |
Terminadas em “il” |
Troca-se a letra “l” por “s”. |
Fuzil - fuzis, canil - canis |
Proparoxítona (antepenúltima sílaba tônica) ou paroxítona + final “s” |
Invariável. |
O atlas - os atlas, o tênis - os tênis |
Oxítona (última sílaba tônica) + final “s” |
A letra “s” transforma-se na desinência “es”. |
Holandês - holandeses |
Observação 1: Destaca-se que alguns termos diminutivos têm um mecanismo próprio de construção de seus plurais, já que, inicialmente, deve-se transformar a palavra original em seu plural para, depois, retirar a letra “s” e acrescentar os sufixos (partes que se localizam no final dos vocábulos e carregam uma informação) “zinhos” ou “zitos”.
Exemplos:
cordão – cordões – cordõezinhos;
carnaval – carnavais – carnavaizinhos.
Observação 2: Quando os substantivos compostos possuem, em suas estruturas, apenas adjetivos, numerais ou substantivos combinados entre si, todos os termos pertencentes a essas classes gramaticais devem ser flexionados.
Exemplos:
sextas-feiras (numeral + substantivo);
obras-primas (substantivo + adjetivo)
tubarões-martelos (substantivo + substantivo).
Entretanto, se houver dois substantivos e entre eles existir uma preposição, apenas o primeiro termo deve ser flexionado.
Exemplos:
pés-de-moleque;
orelhas-de-burro.
Além dessa exceção, caso o segundo elemento apresente a finalidade do primeiro, apenas este carrega a marca do plural.
Exemplos:
bananas-prata;
navios-escola.
Por fim, se dois elementos iguais ou onomatopaicos (figura de linguagem que consiste na reprodução similar de algum som ou ruído) constituírem o substantivo, é recomendável que apenas o segundo pluralize-se.
Exemplos:
pingue-pongues;
pega-pegas.
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Apesar de a maioria dos gramáticos considerar que o grau é um fenômeno de flexão – ou seja, apenas uma variação da palavra resultante da inserção de um sufixo –, Mattoso Câmara, um importante linguista brasileiro, afirma que, na verdade, a transformação vocabular advinda da marcação do grau constitui um mecanismo de derivação, isto é, de formação de um novo termo, e cita como exemplo a palavra “portão”, cuja significação distancia-se da de seu termo base “porta”.
Divergências à parte, os substantivos podem expressar um sentido aumentativo ou diminutivo em relação à palavra original. Tal capacidade pode ser interpretada, analogamente, como um forno no qual as chamas ficam mais fortes ou mais fracas conforme se mexe no botão do fogão, sendo que esse botão é o grau.
Para entender como funciona o estabelecimento dos graus aumentativo e diminutivo, é importante ter em mente que essa ação dá-se por meio de dois processos, conforme se observa a seguir:
→ Analítico: o substantivo é modificado por adjetivos (palavras que expressam estados, características ou qualidades das coisas em geral).
Exemplos:
O menino grande está assistindo à TV.
O menino pequeno fez birra.
→ Sintético: ao substantivo, acresce-se um sufixo.
Exemplos
O meninão deveria tomar vergonha na cara.
O menininho é tão fofo.
Percebe-se que a última modalidade, além de transmitir a ideia de algo maior ou menor que o original, ainda carrega um aspecto valorativo de quem enuncia. Ou seja, no primeiro exemplo há um certo desdém direcionado ao menino, e no segundo evidencia-se uma relação de afetividade entre o falante e a criança.
Leia também: Sufixos que indicam o grau de substantivos
Questão 1
(UFF-RJ) Assinale a única frase em que há erro no que diz respeito ao gênero das palavras.
a) O gerente deverá depor como testemunha única do crime.
b) A personagem principal do conto é Seu Rodrigues.
c) Ele foi apontado como a cabeça do movimento.
d) O telefone deixou a anfitriã perplexa.
e) A parte superior da traqueia é a laringe.
Resolução
Alternativa C, pois, no contexto, o substantivo “cabeça” não tem o sentido de parte do corpo humano, mas sim de uma pessoa que é mentora de algo.
Questão 2
(Fuvest – SP) Assinale a alternativa em que está correta a forma plural.
a) júnior: júniors
b) gavião: gaviães
c) fuzil: fuzíveis
d) mal: maus
e) atlas: atlas
Resolução
Alternativa E, pois se trata uma palavra paroxítona terminada em “s”, logo as formas singular e plural são as mesmas.
Fontes:
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha: Instituto Houaiss, 2018.
CUNHA, Celso Ferreira da; CINTRA, Luis Filipe Lindley. Nova gramática do português brasileiro. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.
DE NICOLA, José. Português: ensino médio, volume 2. São Paulo: Scipione, 2005.
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. São Paulo: FTD, 2003.
Famoso poeta brasileiro, fez parte da segunda geração romântica.
O predicado é um termo essencial da oração que faz uma afirmação sobre o sujeito.
Indica uma condição em relação a um verbo, adjetivo ou outro advérbio.
Podem provocar efeitos indesejados na comunicação, entre eles a ambiguidade.
As palavras aportuguesadas são aquelas de origem estrangeira que foram adaptadas às normas ortográficas da língua portuguesa.